Artista visual e tatuador, Jonas Sousa constrói sua trajetória a partir da rua — não como ponto de partida romântico, mas como escola de percepção. Foi no graffiti que aprendeu a pensar imagem como gesto: um risco que nasce do corpo, encosta no muro e devolve ao território uma espécie de assinatura viva. A cidade, aqui, não é cenário; é matéria.
Quando migra para a tatuagem, o suporte muda, mas a pergunta permanece: onde a imagem acontece? Do concreto para a pele, seu desenho ganha proximidade, intimidade e duração — e também risco. Cada tatuagem é encontro, tempo compartilhado, presença. A linha deixa de disputar espaço na paisagem e passa a habitar um corpo: torna-se memória, marca, relação.
Em paralelo, Jonas aprofunda um traço em aquarela — delicado, preciso e muito bem desenhado, onde a imagem parece respirar entre transparências, camadas e intervalos. A aquarela, na sua prática, não é apenas técnica: é uma ética da impermanência. O desenho se mantém firme, mas a água introduz o acaso, a fuga, a mudança — como se o trabalho aceitasse, de propósito, que nada fica totalmente imóvel.
Há mais de uma década atuando como tatuador, sua produção autoral atravessa fronteiras entre arte urbana, arte corporal e artes visuais, aproximando temas como corpo, subjetividade e transitoriedade. Seu repertório nasce do cotidiano, mas mira o simbólico: aquilo que permanece depois que a tinta seca — ou depois que a cidade muda.
Atualmente, é estudante de Artes Visuais na Universidade Federal de Santa Maria, onde amplia sua pesquisa teórica sobre imagem, mimese, intenção artística e as relações entre artista, espectador e instituição. Entre prática e pensamento, seu trabalho sustenta uma poética em que rua e corpo seguem como eixos: lugares onde a arte não só se vê — se vive.
Impressa em papel fotográfico, em alta qualidade.
Não acompanha moldura — apenas a impressão.
Tamanho: 29,7 cm × 42,0 cm (A3)